OS MENINOS DO CARMO

Os alunos que ingressaram em 1956 e saíram em 1963 recuperando a história do Colégio Nossa Senhora do Carmo

Viva Jesus, Maria e José – VJMJ!

Organizador: MARCELO PUSTIGLIONE

COLÉGIO NOSSA SENHORA DO CARMO tradicional instituição de ensino paulistana gerenciada pelos “Irmãos Maristas”, ordem fundada na França pelo PADRE MARCELINO JOSÉ BENTO CHAMPAGNAT (nascido em 20 de maio de 1789 em Marlhes- falecido em 6 de junho de 1840 em Notre Dame de L’Hermitage – Saint Chamond).Champagnat foi beatificado em 29 de maio de 1955 pelo Papa Pio XII e canonizado em 19 de abril de 1999 pelo Papa João Paulo II – São Marcelino Champagnat é festejado no dia 6 de junho e é padroeiro dos professores e da educação.

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Em 10 de abril de 1899 os maristas fundaram em São Paulo o Externato Nossa Senhora do Carmo junto à igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo (V.O.T.C.), no centro da cidade, nas cercanias da Praça da Sé. O Professor Antonio da Silva Prado (1840-1929) do Partido Republicado Paulista (PRP) era o Prefeito da cidade. O “prédio novo” do “nosso colégio marista” (foto) foi concluído em 1912, localizado na Rua do Carmo, 323 (posteriormente renumerado para 37) (Telephone 2-8361) ligado aos fundos da Igreja da V.O.T.C. até hoje localizada na Av.Rangel Pestana, 230, esquina com a antiga Praça Clóvis Bevilacqua - hoje o grande complexo da Praça da Sé, no “centro velho” da cidade de São Paulo.

A lista de personalidades que se formaram “no CARMO” é longa, mas podemos citar algumas - ver lista

Em 1957 a maioria de nós, “os meninos do CARMO”, pisava pela primeira vez o sagrado solo de nosso saudoso COLÉGIO NOSSA SENHORA DO CARMO para iniciar o curso ginasial. Naquela época o currículo escolar estava organizado em três cursos sucessivos: o primário com quatro anos de duração, seguido pelo ginasial com mais quatro anos e, finalmente, o colegial ou “científico” com os três anos finais que nos habilitava a buscar uma vaga nos cursos superiores oferecidos pelas universidades.

Alguns, por não ter idade suficiente para ingressar no ginásio deviam realizar o chamado “curso de admissão ao ginásio”. Vários de nós o fizeram já no CARMO, em 1956.

Assim, esta relação de fraterna amizade completa neste ano de 2016 exatos sessenta anos!

Como informação inicial, listamos os nomes e atividades (conhecidas) dos “meninos do CARMO” - ver nomes

Concluído o curso ginasial, em 1960, muitos colegas buscaram outras instituições de ensino enquanto outros continuaram no CARMO para cumprir “o científico”, sendo divididos em duas turmas: “medicina” e “engenharia”.

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Formando de 1963 – Curso Científico

Aos nossos pais o preito de nossa gratidão” - ver nomes

 

Muitas lembranças dos que participaram de nossa formação:

Os militares do Exército Brasileiro Capitão Rennó e Tenente Carlos Branco, na Educação Física.

O Maestro Camillo Berti, na música.

Os Professores: Miguel Damiani, Latim; Carlos Manoel Leal Machado, Matemática; Marcos Guimarães Ferri, Biologia; Paulo Toledo Cruz; Geraldo J. Covre.

O Irmão Epiphanio Maria (“o Pifão”) e suas “reguadas” na palma da mão.

Os Irmãos: Vicente Alberto e Evaldo Gabriel, nossos titulares no Curso de Admissão ao Ginásio; nossos titulares do ginásio e científico: Florêncio Pio, Anselmo Pio, Antonio Marcos, Erasmo Pedro, José Martinez, Rui Leopoldo, Norberto José, Vitor Luis, Oswaldo Ferreira, Affonso Diniz Queiroz e Leonardo (“o Tita”); Ricardo, nosso técnico de várias modalidades esportivas; Celso Roberto de Mello, Português; Ivo Bernardo, reitor; Miguel Eduardo, Inglês; Nilo Calixto

Participávamos das missas aos domingos que era um dos pré-requisitos para estarmos nos times de futebol de campo, basquete ou vôlei e do recém criado futebol de salão e sua famosa “bola pesada”.  Disputávamos campeonatos escolares, entre os quais o tradicional campeonato da Gazeta Esportiva de Futebol de Salão guiados pelas mãos do Ir. Ricardo e do Ir. Celso.

Fomos testemunhas oculares da conclusão das torres da Catedral da Sé, da construção do prédio da Secretaria da Fazenda nos fundos de nosso colégio, das greves do Sindicato dos Metalúrgicos e os confrontos com a cavalaria, das ressacas da boemia paulistana e das histórias dos jornalistas do Diário Popular enquanto aguardávamos a porta do colégio abrir pela manhã.

Muitos anos se passaram e progressivamente fomos perdendo alguns contatos, porém outros foram mantidos. Quando ingressei no Curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 1965, informei o Ir. Leonardo, o inesquecível “Tita”, falecido em 2008, e ele divulgou o fato no informativo do colégio; o mesmo ocorreu quando me casei, em 1970.

O “Tita” foi ao meu casamento junto com o Ir. Ivo Bernardo.  Assim, eu mantinha contatos esporádicos com ele, até que, em 1977, numa atitude estúpida e descomprometida com a história da cidade, o prédio foi demolido devido às obras do metrô. Fato a lamentar é que o Prefeito da cidade de São Paulo, nomeado pelo Governador do Estado o Sr. Paulo Egydio Martins, era o Sr. Olavo Egydio Setubal (1923-2008) da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), ex-aluno do CARMO! Procurei o “Tita” e acabei descobrindo que ele estava no Colégio N.S. da Glória, no Cambuci. Fui procurá-lo e levei minha filha, Alessandra, na época com pouco mais de seis anos de idade para conhecê-lo. Foi um encontro muito emocionante e ele me levou para ver (na realidade rever) o “seu” laboratório de física, que ele havia levado do CARMO para lá. A partir desse encontro, fiz alguns contatos que culminou num jantar na Cantina do Chico, na Rua Ouvidor Portugal, Vila Monumento próximo à Av. D.Pedro I. Além do próprio “Tita” que, conforme lembrado pelo Nilson levou cópias de nossos boletins de 1960, estiveram presentes: Amedeo, José Cássio, Mingrone, Haroldo, Atienza, José Luiz, Edgard, Edson...; Nilson também lembrou que o nosso queridíssimo Haroldo Pinto da Luz Sobrinho fez um discurso nesse dia que dizia, entre outras coisas, que “nos tempos do CARMO nós éramos felizes e sabíamos”.

Lembro também que em abril ou maio de 1988 foi organizado um encontro no qual não pude ir porque estava num Congresso na Itália.  Salvo engano foi o Mingrone quem organizou esse evento. Na impossibilidade de ir mandei um texto para que o Mingrone lesse para a turma: "Os Meninos do CARMO" que dizia: “onde estávamos nós quando demoliram o CARMO?”. De lá para cá compareci nos que pude, certamente menos do que gostaria. Se cada um lembrar de um pedaço podemos construir a história toda. 

 


 

Os zelos da Ordem cercam de um cuidado metodo peculiar a grande e benemérita instituição, que é o Ginásio de Nossa Senhora do Carmo. Ele representa efetivamente um glorioso marco na ação católica de São Paulo, um padrão de benemerência na vida de São Paulo e um fator benéfico na comunhão brasileira. Ao lado da instrução sólida, boa, de acôrdo com os regulamentos disciplinares, está a educação genuinamente cristã e católica, formando as almas, plasmando o moral e revigorando os corações. Timbra o Ginásio de Nossa Senhora do Carmo em exercer um legítimo apostolado, não levando em conta de forma alguma os subalternos interesses pecuniários e lucrativos, numa época de franco mercantilismo e de interesses imediatos, transformados numa indústria que tudo avassala e domina. 

A elevada missão da educação e da instrução é nitida- mente compreendida na direção do Ginásio da Ordem Terceira. À sua frente estão os Revmos. Irmãos Maristas, especializados no ensino, treinados na abnegação e no sacrifício, disciplinados na severidade do cumprimento dos deveres. Na competência deles, intelectual e moral, descansa a Ordem Terceira, confiando-lhes os destinos de várias centenas de jovens, cuja inteligência e cuja vontade são carinhosamente orientadas para a verdade e para o bemg Tivemos que lamentar, este ano, a saída do Revmo. Irmão Reitor Miguel Eduardo. Durante seis longos anos, deu êle tôda a sua vontade e todos os seus inteligentes esforços ao Ginásio. Sua probidade, sua alta competência, seus desvelos, sua generosidade, sua fidalguia de maneiras e de trato, sua constante jovialidade atraíram-lhe sempre as mais vivas simpatias de todos, e o impuseram à mais distinta consideração e estima. Substituiu-o o Revmo. Irmão Henrique Augusto, homem experimen- tado nas lides do ensino e da disciplina. De sua abnegada solicitude muito esperamos, e dos seus talentos muito fiamos.

Mons. MANFREDO LEITE 

FOTOS DE ENCONTROS DA MINHA TURMA GINÁSIO DO CARMO